| China: por que fustigar o dragão? |
|
| Colunas - Port e Export | |||
| Escrito por Carlos Tavares | |||
| Sex, 02 de Dezembro de 2011 17:52 | |||
|
De início, vale recordar interessante ato histórico do imperador D. João VI, responsável, em 1814, pela primeira operação oficial no intercâmbio com a China. De fato, seis anos após a “abertura dos portos às nações amigas”, o monarca providenciou a vinda de 300 experimentados agricultores chineses que prestaram ensinamentos da cultura de plantações, em particular do chá, no Rio de Janeiro, na encosta do Corcovado, em Botafogo. Ensejaram a criação futura do Jardim Botânico e deixaram como marca o quiosque ainda existente, no alto, na chamada Vista Chinesa. No longo período em que se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, os Estados Unidos, até 2009, apesar das irregularidades e do autoritarismo registrados, não recebiam ataques semelhantes aos agora sofridos pela China. Ainda no decorrer da 2ª Guerra Mundial, no início da década de 1940, em ação intervencionista americana, eram apenas em inglês os pedidos de importação (Preference Request) processados e selecionados por funcionários da embaixada que atuavam na Carteira de Exportação e Importação, Cexim, do Banco do Brasil, onde comecei minha carreira. E agora essa incrível descoberta de que, há anos, dos EUA chegam exportações ilegais de toneladas de lixo hospitalar (incluindo lençóis com marcas de urina e excrementos). Imaginem a reação se essa deplorável exportação de lixo viesse da China. Sem dúvida, as críticas e incompreensões contra a China, entre nós, decorrem do preconceito existente causado pelo desconhecimento não só da cultura como da verdadeira razão dos procedimentos do novo maior parceiro. Sobre a cultura e civilização, a mais antiga do planeta, tenho procurado ajudar, com a publicação de sete livros, inclusive o intitulado “China – Origens da Humanidade (Aduaneiras) reunindo informações precisas sobre 50 de suas invenções e descobertas, entre as quais, além das conhecidas pólvora, bússola, papel e impressão, também da plantação em fileira, petróleo, gás, vinho, cerveja, porcelana, estribo, sistema decimal, zero, imulogia, arado, seda, bronze, aço, hélice e até o futebol. A propósito, recentemente, a Sociedade Chinesa para Estudos dos Direitos Humanos, após pesquisa em vários países, assinalou “que é difícil eliminar o preconceito do Ocidente sobre a China”. Essa prevenção acaba refletindo em ações contra exportações chinesas impetradas na Organização Mundial de Comércio – OMC, causando prejuízos de bilhões de dólares. No Brasil, mais da metade das medidas antidumping decretadas referem-se a produtos chineses, quase todos de uso popular, como calçados, brinquedos, lápis, cadeados, alho, garrafas térmicas, óculos, além de outros, na mesma linha (esferográficas, cobertores, etc.) prestes a serem atingidos. Considerando que o Brasil ainda não reconheceu a China como economia de mercado, tais medidas – geralmente solicitadas por pequenos grupos industriais – são tomadas de forma aleatória ou com base precária em preços internos de outros países. Com isenção, torna-se impossível comparar preços do mercado interno da Argentina (por exemplo) com os da China, onde os custos dos tributos e, em particular, da mão-de-obra são muito inferiores. Na realidade, o Brasil está em falta com a China nessa questão do devido reconhecimento como economia de mercado, prometido pelo presidente Lula em encontro com o presidente Hu Jintao. Sobre esse compromisso, em Pequim, o diretor do Departamento de América Latina, do Ministério das Relações Exteriores, declarou: “As palavras de Lula em 2004 se transformaram em letras mortas.” Aliás, o governo chinês faz questão absoluta desse reconhecimento, pelos países que ainda não o fizeram, antes da aprovação automática pela OMC em 2016. Em setembro, no Fórum Econômico Mundial, em Dalian, o primeiro-ministro Wen Jiabao, ao pedir a antecipação do reconhecimento pelos ainda países faltantes, assinalou: “É assim que a gente se comporta entre amigos.” Embora visem especificamente impedir a entrada de produtos chineses, a crescente expansão de medidas protecionistas está provocando forte reação no mercado mundial. Em setembro, em carta ao governo dos EUA, o presidente da Associação Americana de Roupas e Calçados, Kevin Burke, pediu providências junto à OMC para “barrar essas >> Leia mais
Tornar favorito
Favoritos
Enviar por email
Comentários (0)
![]() Escreva seu Comentário
|





