Bahia tenta viabilizar porto de R$ 3,5 bi Imprimir E-mail
Noticiário cotidiano - Portos e Logística
Sex, 23 de Dezembro de 2011 06:30

Governo baiano cede a mudanças para o projeto ter aval dos ministérios públicos Federal e Estadual e do Ibama

Uma das mudanças prevê a redução da área onde serão construídos dois terminais, de 4.833 para 2.168 hectares

É na área de 2.168 hectares -equivalente a 2.650 campos de futebol- coberta de vegetação nativa ao norte de Ilhéus (456 km de Salvador) que o governo da Bahia pretende construir o complexo do Porto Sul.

O projeto, orçado em R$ 3,5 bilhões e previsão de entrega até 2014, contempla a construção de dois terminais -um público e outro privado- e um porto em alto-mar ("offshore"), distante 3,5 quilômetros da costa do Cacau.

O complexo fará a ligação com a ferrovia Oeste-Leste, em construção pelo governo federal por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para exportação de produtos agrícolas e, principalmente, minério de ferro.

Para viabilizar o projeto, no entanto, o governo da Bahia já cedeu a diversas mudanças. A mais recente foi a redução para menos da metade da área dos terminais, de 4.833 para 2.168 hectares, na comunidade de Aritaguá.

A medida excluiu do projeto a necessidade de reassentar ao menos 200 famílias das comunidades de Lavapés, Valão e Itariri e assentamento Bom Gosto, do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A redução, porém, não foi vista com bons olhos pela comunidade local. O temor é que, após o projeto ser implantado, o governo amplie a área para o tamanho original. Eracy Lafuente Pereira, coordenador da Casa Civil da Bahia, nega a possibilidade.

Outra alteração ocorreu em abril. Por recomendação do Ibama, o governo desistiu de implantar o projeto na localidade da Ponta da Tulha.

Segundo a Folha apurou, outras mudanças serão feitas até que o projeto tenha o aval de instituições como os ministérios públicos Federal e Estadual, além do próprio Ibama, que analisa o estudo de impacto ambiental.

ATIVIDADE ECONÔMICA

O terminal privado ocupará 502,9 hectares e será construído pela Bahia Mineração, ao custo previsto de R$ 1 bilhão. A estimativa da empresa é movimentar até 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no local.

A Bahia Mineração pertence ao grupo ENRC (Eurasian Natural Resources Corporation), do Cazaquistão. A produção do minério na mina de Caetité (757 km de Salvador) será exportada principalmente para a China.

O terminal público está orçado em R$ 2,5 bilhões e terá sete áreas para transporte de minério de ferro, granéis sólidos, soja, fertilizantes, etanol e outros armazenamentos. Porém, só a Sulamericana de Metais demonstrou interesse no projeto estadual.

A empresa é uma joint venture entre a Votorantim e o grupo chinês formado pela Honbridge Holdings e Xin Wen Mining Group. Em 2012, conforme acordo, os chineses devem adquirir 100% das atividades da Sulamericana.

Segundo o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, a expectativa é implantar uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) com a Sulamericana para viabilizar o terminal público do Porto Sul.

Fonte: Folha de São Paulo/VENCESLAU BORLINA FILHO ENVIADO ESPECIAL A ILHÉUS (BA)e EDUARDO ANIZELLI

Comentários (1)Add Comment
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Porto Sul
escrito por Jorge Haile, dezembro 23, 2011
Porque será que apesar do parecer de todos os especialista apontarem que esse projeto seria mais viável em todos os aspectos no Porto de Aratu, O Governo insiste em implantá-lo em Ilhéus-BA. Não lhes parece estranho. Comentários no Jornal a tarde por especialistas em infra-estrutura e transporte. Sr. Osvaldo C. Magalhães ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) de 02/06/2011, ele trata a iniciativa como mais um dos absurdos que acontece na Bahia e isso porque o Governo da Bahia que satisfazer caprichos de empresários. Na matéria do programa Fantástico da Tv Globo o Profº de Logística da USP Sr. Hugo Yoshizaki aponta a existência da ferrovia centro-atlântica relativamente próxima à mina e interligada ao Porto de Aratu com enorme potencial inexplorado. Essas são apenas algumas das opiniões de pessoas especialistas no assunto e que o Governo da Bahia finge que não vê. Porque será??????
Coisa boa com certeza não está por trás disso.
E a comunidade local tem motivo pra ficar apreensiva com a suposta redução da área e mudanças que eles querem fazer pois uma vez implantado no local certamente vai acontecer um "vale tudo" para implantar o projeto original. O que mais me espanta é que a SEP e o Governo Federal parecem totalmente alheios a tudo isso. O descaso é total.
Triste e lamentável!

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