Estudo adverte sobre falta de oficiais de marinha mercante no Brasil Imprimir E-mail
Noticiário cotidiano - Marinha do Brasil
Sex, 09 de Dezembro de 2011 08:05

Estudo da Schlumberger Business Consulting, feito sob encomenda da Transpetro, empresa de logística da Petrobras, traz novos cenários sobre a oferta e demanda de oficiais de marinha mercante no Brasil. Mas o trabalho não encerrou a polêmica sobre o tema entre armadores e trabalhadores. O levantamento inclui projeção segundo a qual tende a se aprofundar o saldo negativo entre a oferta e a demanda por esses oficiais.

Uma das previsões sugere que, em 2020, poderiam faltar 992 oficiais para atender a demanda. Esse déficit poderia chegar a dois mil oficiais no fim da década dependendo da forma como se cumpre resolução do Conselho Nacional de Imigração, presidido pelo Ministério do Trabalho, que determina condições para o uso de marítimos brasileiros em embarcações estrangeiras no país. Se a resolução for cumprida à risca, seriam necessários mais oficiais brasileiros disponíveis para atender a demanda de barcos estrangeiros.

Os oficiais são profissionais de nível superior, formados nas escolas da Marinha, que integram tripulações de navios mercantes e barcos de apoio à indústria de petróleo. O estudo da Schlumberger surgiu a partir de reuniões de comissão formada por Marinha, armadores e trabalhadores.

O trabalho da Schlumberger intitula-se "Sistemática para equilibrar a oferta e demanda de oficiais de marinha mercante no mercado brasileiro". O estudo mostra que a frota atual, segundo dados de julho de 2011, é de 615 embarcações, entre bandeira brasileira e estrangeira. São esses barcos que demandam oficiais brasileiros. Do total da frota, 87% correspondem a embarcações da indústria de petróleo e gás.

O estudo trabalha com dois cenários. Um deles chamado CTS (iniciais de Cartão de Tripulação de Segurança), que corresponde à tripulação mínima exigida pela Marinha para a navegação. O outro é o cenário de tripulação típica, utilizado pelos armadores por corresponder às exigências comerciais dos clientes. Por este critério, houve déficit de 227 oficiais em julho.

O número considera uma demanda de 4.514 profissionais e uma oferta de 4.287 oficiais que atuavam, naquele mês, em empresas de navegação de bandeira estrangeira. Neste caso, a demanda superou a oferta em 5%. Pelo cenário CTS, o número de oficiais brasileiros embarcados em navios de bandeira estrangeira foi 21% superior à demanda, o equivalente a um superávit de 756 profissionais.

Bruno Lima Rocha, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), disse que o déficit de 227 oficiais mostra que a resolução normativa nº 72, do Conselho Nacional de Imigração, não vem sendo cumprida em sua totalidade. Se fosse, o déficit de oficiais seria de 906 e não de 227, disse Rocha. O artigo 3º da resolução determina as condições para admitir marítimos e outros profissionais brasileiros em embarcações ou plataformas estrangeiras que operarem no Brasil por mais de 90 dias.

O Syndarma defende que o Conselho Nacional de Imigração emita nova resolução dizendo que por prazo de cinco anos o artigo 3º da resolução 72 fica suspenso. Se adotada, a medida faria com que navios estrangeiros ficassem desobrigados a chamar oficiais brasileiros. A Transpetro disse, em nota, que não é a favor da flexibilização da resolução 72, mas sim de um esforço conjunto para que os novos postos sejam tripulados por brasileiros. "A expansão da frota brasileira de navios deve ser acompanhada por novos esforços na formação de marítimos no país."

Severino Almeida, presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar), disse que o estudo da Schlumberger não considerou os efeitos de um aditivo ao acordo coletivo de trabalho feito pelo Sindmar com a Petrobras pelo qual a estatal ficou desobrigada, por dois anos, a contratar oficiais brasileiros em 91 navios estrangeiros afretados em operação no país. O acordo vai disponibilizar ao mercado 902 oficiais em dois anos, os quais se somariam a outros 254 profissionais pertencentes a empresas de navegação de apoio offshore com as quais o Sindmar está assinado acordos semelhantes ao realizado com a Petrobras.

O número total de oficiais coberto por esses acordos é de 1.156 oficiais, segundo o Sindmar. Mas o Syndarma rejeita a conta pois considera que os navios afretados pela Petrobras foram considerados nos cálculos pela Schlumberger.

Fonte: Valor Econômico / Francisco Góes

Comentários (13)Add Comment
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Crime
escrito por Ricardo Viana, dezembro 12, 2011
Olhem oque o seu sindicato fez por você!!!!!!

Severino Almeida, presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar), disse que o estudo da Schlumberger não considerou os efeitos de um aditivo ao acordo coletivo de trabalho feito pelo Sindmar com a Petrobras pelo qual a estatal ficou desobrigada, por dois anos, a contratar oficiais brasileiros em 91 navios estrangeiros afretados em operação no país.
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escrito por Ricardo Viana, dezembro 12, 2011
As Universidade marítimas da Noruega, Inglaterra, França, Portugal, Japão, Alemanha, Holanda, Espanha, e até as particulares nos Estados Unidos e Canadá, são civis, aluno vai de calça jeans, e vive como qualquer ser normal, e se forma na prática.

Ao contrario do regime faz de conta da Coreia do Norte aqui no Brasil, que ainda existe só pra cumprir tabela.

Vamos ser chutados por culpa desse atraso, e falta inteligencia.
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escrito por Ricardo Viana, dezembro 12, 2011
O Colega 1ON Marcelo Silva, foi brilhante, este é um cara antenado com a realidade profissional.

Este país tem muita vaidade, muita boçalidade neste nosso meio, tem "colegas" que por eles só ficavam de farda (trabalho que é bom nada), por isso estamos sendo passados para trás, os gringos que hoje mandam e desmandam na nossa costa que o digam, e nessa tal de Transpetro ta cheio de latinos mandando a bordo.
Isto sim é uma vergonha!

Ao contrario de dinossauros que já ficaram no passado.
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escrito por Ricardo Viana, dezembro 12, 2011
Este tão de Luiz Leal não pode mesmo ser levado à sério.
É o mesmo tipo que ficava la no Blogmercante ofendendo colegas com comentários estranhos.

Muito tosco este sujeito, com estas ideias da época da pedra lascada.

Típicas ideias de um cara que tentou ser militar e não conseguiu, e ai foi para a Fronape, vestir caqui.
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Ao Paulo Moraes
escrito por LUIZ LEAL, dezembro 10, 2011
É isso, meu caro Paulo Moraes,
Paisinhos com uma costa do tamanho do litoral do de Alagoas (gosto muito de lá) dão muito valor aos homens do mar.
Portugal, Espanha, Inglaterra, etc. são o que são devido aos homens do mar.
Quantos hoje brigam por ter apenas um porto por onde exportar suas riquezas naturais?
Valeu!
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Vivo morto
escrito por paulo Moraes, dezembro 10, 2011
O Luiz Leal,ficou de definir melhor,ou seja,existe tres tipos de homens:o morto,o vivo e o vivo morto que é o maritimo.Os maritimos não contam com tempo ruim e a profissão sim tem que ser super valorizado.É uma pena que nem todos que trabalham em terra,não assimilam que seus salarios são provenientes dos resultados laboriosos dos maritimos,mas ainda existe País como a Noruega na qual olha com dignidade a profissão dos homens do mar.
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1ON Marcelo Silva
escrito por Marcelo Silva, dezembro 10, 2011
Infelizmente o Brasil não possui uma Guarda Costeira que possa exercer a função de Autoridade Marítima e ser a responsável pela formação de oficiais mercantes. Isto seria o ideal. Basta imitar e adaptar os modelos que realmente funcionam bem pelo mundo afora. O que falta? Vontade política, inteligência, planejamento...

A Marinha deveria ser uma força armada, treinada e preparada para a defesa nacional. Um instituição de militares de verdade, de combatentes, de guerreiros. Não uma instituição que administra portos e costas, cartas náuticas... e ter 90% do seus equipamentos à beira da obsolência.

Talvez o meio termo, até o ideal vingar, seria um convênio da Marinha com as universidades federais para abrirem vagas específicas para o Ensino Profissional Marítimo... e aproveitar o mundo acadêmico (o verdadeiro) para melhorar o nível de formação e qualificar ainda mais os marítimos brasileiros.

Na atual conjuntura, não adianta apontar os dedos para este ou aquele ator na mazela da formação dos marítimos brasileiros. Está na hora de deixar as vaidades, cargos e os gordos orçamentos de lado e focar o benefício coletivo, nacional... de focar e proteger empregos no Brasil para os brasileiros...

Abrir mão de uma boa oportunidade histórica para promover melhorias é uma confirmação de estupidez.

Sds marinheiras,
MARCELO SILVA
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Escolas de Marinha Mercante particulares?
escrito por LUIZ LEAL, dezembro 10, 2011
No dia em que isso acontecer, adeus!
Fico imaginando os universitarios da marinha mercante de jeans, camisetas, mini-saias, shorts, barba por fazer, se formando e depois embarcando, tendo de ficar isolados num navio.
Numa universidade - e é ate justo - o cara sala e não dá a minima satisfação ao professor.
Não sou a favor - nem contra - do militarismo, mas no caso especifico de marinha mercante, não daria certo e a evasão seria grande.
Esses caras depois de passarem 4 anos indo pra casa todos os dias, passando num barzinho antes, jamais se acostumariam com a solidão pertinente a atividade maritima.

"Existem três tipos de homens: os vivos, os mortos e os que vão para o mar"? VITOR HUGO

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Falta de Oficiais da Marinha Mercante
escrito por Alvaro Dória , dezembro 09, 2011
De um lado ficam os representantes patronais (Syndarma, Shcumberger e outras...) dizendo que há falta de Oficiais. De outro lado o SINDMAR (o Sindicado dos Oficiais da Marinha Mercante) que contesta essa afirmação dizendo que há Oficiais suficientes no mercado. Quem está certo? Ambos estão certos. Ficam todos reverberando em cima de números, quantidade. A falta NÃO É QUANTITATIVA, mas sim, QUALITATIVA... Existem um número de Oficiais no Mercado que supriria a demanda, porém esses Oficiais, ou são muito jóvens inesperientes recém-formados ou são aqueles que estão retornando à atividade marinheira depois de um longo período afastado. Todos esses estão defasados tecnicamente para suprirem a demanda de uma frota moderna onde, por exemplo, a fluência total em língua inglesa é mandatória. A solução realmente seria abrir a formação de Oficiais da Marinha Mercante para as instituições de ensino superior no Brasil. Poderia se manter o CIAGA e o CIABA como instituições federais de ensino para essa formação e as demais instiuições (até mesmos as universidades públicas) também formariam esses profissionais. Aí sim, a meu ver, atingiríamos o equilíbrio de mercado entre a oferta e a demanda por Oficiais da Marinha Mercante no Brasil.
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VOCE VALE PELA SUA RARIDADE II
escrito por Alexandre Alves Santiago, dezembro 09, 2011
OS CONCURSOS PÚBLICOS PARA OFICIAIS: DE NÁUTICA; DE MÁQUINAS;DA ARMADA; E PARA ENGENHEIROS NAVAIS, SERIAM PARA COMPOR O CORPO DOCENTE (PROFESSORES) DAS FACULDADES DE CIÊNCIAS NÁUTICAS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS.

O CURRÍCULO SERIA EXATAMENTE O MESMO DA EFOMM, E A PARTE PRÁTICA SERIA CONDUZIDA À BORDO OU COM AUXÍLIO DE SIMULADORES NESTAS FACULDADES.

É NECESSÁRIO QUE EXISTA UM CONVENIO ENTRE A OS ÓRGÃO ATUAIS DE FORMAÇÃO, E A REDE NACIONAL DE CEFETs, IFES, E UNVERSIDADES FEDERAIS.

DÁ TRABALHO, MAS AFINAL DE CONTAS HÁ QUEM GANHE PARA ISTO.
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